quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Meias - o "mostrengo" do tricô

Pois é... qualquer tricoteira enfrenta, nalgum momento da sua vida, o bicho-papão das temíveis... MEIAS! Parecem tão inofensivas quando pegamos naquela pequena peça de vestuário - afinal o que é que pode custar, fazemos casaquinhos inteiros e saíram perfeitos, com costuras e tudo! Bem, depois do entusiasmo inicial vem a curiosidade pelas técnicas utilizadas, e já começamos a suspeitar: "hum... quatro agulhas?!...", e quando olhamos para a receita e vemos as instruções, temos a certeza, "aquilo é chinês, nunca vai sair dali uma meia!".
Mas animem-se: não é assim tao difícil. Depois de dominarem a técnica de tricotar com quatro agulhas de duas pontas, é só escolher uma receita que vos agrade, um fio indicado para meias, e começar. Vamos então por pontos:

1. A escolha dos materiais

Como para qualquer projecto, a escolha do fio utilizado vai determinar a qualidade da peça. Várias marcas têm disponíveis fios específicos, mas se por agora só pretendemos "ver para crer", recomendo pelo menos um fio macio, de preferência que inclua fibras naturais na sua composição. O tamanho das agulhas não deve ser superior ao indicado para o fio, para não termos no fim uma meia cheia de buracos.

2. A receita

Na internet existe um número infindável de receitas disponíveis de forma gratuíta, a maioria em inglês, mas também em português. (Eu prefiro em inglês simplesmente porque me habituei a pensar em inglês quando estou a tricotar, porque aprendi quase tudo o que sei, em vídeos, tutoriais, receitas, livros, etc, ingleses e americanos). Oxalá essa tendência deixe de o ser, e que tenhamos brevemente na nossa língua tudo o que precisamos para nos podermos dedicar ao tricô. Na página www.knittingpatterncentral.com podem encontrar de tudo, em inglês, e de forma gratuíta.

3. Começar

Seguindo as instruções da receita, montar os pontos numa das agulhas e dividi-los em três agulhas, tendo muito cuidado para não os torcer ao juntar. Tricotar segundo a receita o número de carreiras necessário para formar o cano da meia;

4. O "Cabo das Tormentas": "virar" o calcanhar

Esta é realmente a parte que mete medo, e até passarmos "para o outro lado" e vermos o calcanhar feito, vemos o "mostrengo" espelhado na receita, e parece que não vai sair nada dali. Então aqui é essencial que as instruções da receita sejam claras e que as saibamos interpretar sem dúvidas, ter confiança e fazer exactamente como se diz. Só depois de feito um calcanhar pela primeira vez, tudo faz sentido, pelo que durante a execução do mesmo é frequente pensarmos que não o estamos a fazer bem, e desmancharmos tudo, desistindo da ideia.

5. O "tubo"

Depois de virado o calcanhar, já nos sentimos confiantes e capazes de terminar uma meia. Agora é só fazer o pé, que é uma espécie de tubo, como o cano, e terminar.

6. "Fechar" a meia

Depois de fazer as diminuições (ou decreases, em inglês) que indique a receita, há que fechar a ponta da meia.
Como antes, também aqui a receita dará as instruções de como fazê-lo. Existem várias técnicas, e depois de familiarizar-nos com as meias, será fácil adaptar a nossa técnica preferida à meia que estamos a confeccionar.



Normalmente utiliza-se um remate efectuado com uma agulha de coser lã, passando a mesma de forma alternada por malhas de uma e outra agulha (nesta fase teremos as restantes malhas divididas em duas agulhas). Esta técnica denomina-se grafting (ver imagem ao lado) e dela resulta uma costura invisível.



E...voilà! Temos uma meia! Depois de terminada, é só rematar as pontas e fazer o par. Força! Garanto que depois do primeiro par feito, não vão querer outra coisa!

Vou tentar postar algumas fotos de meias feitas por mim e quem sabe um tutorial ilustrado. Se tiverem dúvidas é só perguntar, terei todo o prazer em ajudar. Bom tricô!




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