Pois é... qualquer tricoteira enfrenta, nalgum momento da sua vida, o bicho-papão das temíveis... MEIAS! Parecem tão inofensivas quando pegamos naquela pequena peça de vestuário - afinal o que é que pode custar, fazemos casaquinhos inteiros e saíram perfeitos, com costuras e tudo! Bem, depois do entusiasmo inicial vem a curiosidade pelas técnicas utilizadas, e já começamos a suspeitar: "hum... quatro agulhas?!...", e quando olhamos para a receita e vemos as instruções, temos a certeza, "aquilo é chinês, nunca vai sair dali uma meia!".
Mas animem-se: não é assim tao difícil. Depois de dominarem a técnica de tricotar com quatro agulhas de duas pontas, é só escolher uma receita que vos agrade, um fio indicado para meias, e começar. Vamos então por pontos:
1. A escolha dos materiais
2. A receita
Na internet existe um número infindável de receitas disponíveis de forma gratuíta, a maioria em inglês, mas também em português. (Eu prefiro em inglês simplesmente porque me habituei a pensar em inglês quando estou a tricotar, porque aprendi quase tudo o que sei, em vídeos, tutoriais, receitas, livros, etc, ingleses e americanos). Oxalá essa tendência deixe de o ser, e que tenhamos brevemente na nossa língua tudo o que precisamos para nos podermos dedicar ao tricô. Na página www.knittingpatterncentral.com podem encontrar de tudo, em inglês, e de forma gratuíta.
3. Começar
Seguindo as instruções da receita, montar os pontos numa das agulhas e dividi-los em três agulhas, tendo muito cuidado para não os torcer ao juntar. Tricotar segundo a receita o número de carreiras necessário para formar o cano da meia;
4. O "Cabo das Tormentas": "virar" o calcanhar
Esta é realmente a parte que mete medo, e até passarmos "para o outro lado" e vermos o calcanhar feito, vemos o "mostrengo" espelhado na receita, e parece que não vai sair nada dali. Então aqui é essencial que as instruções da receita sejam claras e que as saibamos interpretar sem dúvidas, ter confiança e fazer exactamente como se diz. Só depois de feito um calcanhar pela primeira vez, tudo faz sentido, pelo que durante a execução do mesmo é frequente pensarmos que não o estamos a fazer bem, e desmancharmos tudo, desistindo da ideia.
5. O "tubo"
Depois de virado o calcanhar, já nos sentimos confiantes e capazes de terminar uma meia. Agora é só fazer o pé, que é uma espécie de tubo, como o cano, e terminar.
6. "Fechar" a meia
Depois de fazer as diminuições (ou decreases, em inglês) que indique a receita, há que fechar a ponta da meia.
Como antes, também aqui a receita dará as instruções de como fazê-lo. Existem várias técnicas, e depois de familiarizar-nos com as meias, será fácil adaptar a nossa técnica preferida à meia que estamos a confeccionar.
Normalmente utiliza-se um remate efectuado com uma agulha de coser lã, passando a mesma de forma alternada por malhas de uma e outra agulha (nesta fase teremos as restantes malhas divididas em duas agulhas). Esta técnica denomina-se grafting (ver imagem ao lado) e dela resulta uma costura invisível.
E...voilà! Temos uma meia! Depois de terminada, é só rematar as pontas e fazer o par. Força! Garanto que depois do primeiro par feito, não vão querer outra coisa!
Vou tentar postar algumas fotos de meias feitas por mim e quem sabe um tutorial ilustrado. Se tiverem dúvidas é só perguntar, terei todo o prazer em ajudar. Bom tricô!
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